Asserrilhado

Vinha o picaço
Descansado dos arreios
E um mouro antigo
Num tranco de quem se vai
Cruzavam rastros
De quem foi e já se veio
De algum povoado
No costado do Uruguai
Nas falas doces
Bem serenos junto à copa
Bombeia os lábios
Numa sede pra beijar
Eu busco estrelas
Campereando alguma volta
Que brilhe tanto
Como a noite de lua

Me mostra prenda o sentido
Talvez olhando o passado
Fazendo o tempo invertido
Que já vou aquerenciado
Tenho remansos contidos
Num pensamento calado
E o teu olhar canta envido
Pra matear asserrilhado

A flor do trevo
Que remoça a cada ano
Traz junto à noite
Um recado pra me dar
Aquele céu
Onde dormiram nossos planos
É o mesmo céu
Que algum dia vai chegar
E quando o estribo
Se aprumar bem despacito
Pela fronteira
Junto ao passo da cruzada
Eu alço a perna
E dessa vez não vou solito
Pealar um sonho
E junto a ti erguer morada

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